DISSERTAÇÃO [UFRGS, 2011-2013]

Tecnologia a laser, design e teoria por livros dúcteis: (quase) falas enquanto (corte da) matéria 

Através de design, de tecnologia, de arte e de filosofia, esta pesquisa movimenta o modo de construção do livro sob uma força que tende, conceitualmente, a deformá-lo. Nesse contexto, sobre três faces de um mesmo enunciado, entre livro e palavra, são construídos seis livros dúcteis por duas efetuações paralelas: o modo de escrita quasefala e a tecnologia de corte e gravação a laser. O modo de escrita sendo o fora preso na linguagem, potência por vir a ser, devir; e a tecnologia a laser sendo o rúptil da matéria, corte da linguagem, construção dos livros. Uma vez que, por um triz, o rompimento da matéria não fala, expondo-se por esta diferença que há entre não falar e falar, cedendo seu lugar à fala da matéria. Por quasefala, portanto, tem-se essa demonstração do que poderia ter sido a fala, impossível de não ser efetuada ao mesmo tempo em que é crucial não ser efetuada – a que depende sua morte, impossível de se cuspir ao mesmo tempo em que é vital não a engolir – a que depende sua vida. Por rúptil, matéria-pensamento; e por dúctil, pensamento-matéria. Sendo que nessa transição rúptil-dúctil prevalece o livro dúctil por um pensamento que deforma também o rúptil, ou seja, traz-se o corte para dentro da dobra conceitual do estudo. Dualidades que culminam na expressão latente do processo: quasefalas enquanto corte e falas enquanto matéria. Desdobradas, por fim, entre papéis, tecidos, polímeros e velcro, nos protótipos adotando abandono, ataques melindrosos, inventania, maracujamelão, tipos de chuva e quebra-cabecedário.